A vida é feita de surpresas onde sua missão é viver, alguns momentos podem durar tão pouco e ficar na sua memória por muito tempo, algumas pessoas podem fazer muito pouca parte da sua vida e ser considerada pra sempre. eu imagino um dia em que todas as pessoas tivessem o direito de serem feliz, mesmo que seja só por um momento, para ter a oportunidade de sentir o que realmente desejam e acreditar que sonhos não são bobagens.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Expectativas
Não quero promessas, elas criam expectativas e expectativas causam dor, não quero mais isso, não quero mais magoas, não quero mais acreditar que dessa vez possa ser diferente, porque não vai ser, não está sendo. Expectativas por si só, já é um entusiasmo, mas seu excesso cria frustrações, abre feridas, causa magoas.
O problema de quando uma pessoa cria uma barreira em torno de seus sentimentos é quando ela decide quebrar essa barreira, pois ai é que se começa a criar expectativas, é ai que ela decide se abrir e em fim, dizer tudo que está sentindo e quando percebe, não há nenhum reconhecimento, nenhuma resposta, nem um ''eu também'', da unica pessoa que deveria estar do seu lado, compartilhando sentimentos. Não sei ao certo, mas vejo os mesmos pequenos gestos de antes, tão sem importância, sem significados, que passam quase imperceptíveis, mais que para mim são importantes. Eu não quero mais pensar, nem fazer planos, nem imaginar uma resposta, não quero mais criar expectativas, não quero mais me decepcionar.
''Expectativas são sempre angustiantes, a realidade nunca corresponde à nossa fantasia.'' Martha Medeiros
sexta-feira, 21 de março de 2014
Captura
É chama
Causa e efeito da noite que adormece
É prece quando no silêncio se cala
É droga que encanta quando alopra
É arma quando fere e inflama
É dança quando a música do universo sopra
A cor exata tem seus olhos
Que sempre miram linhas distantes
E passam de viés pelas flores
E se livram dos versos de antes
Que, as vezes, não contemplam cores
São pedras que se escondem no tempo
Tem o dom de se achar por baixo
Mesmo quando coloca tudo para cima
É som no máximo tirado da posição mínima
Encaixe onde me encaixo
Palavra que alucina
Luz que precipita
Anjo torto, caído
Que brilha na Insônia escura e úmida
É sexo que lateja e murmura
É sensação presente sem nunca ter sido
É vento, livre, lamento
É o melhor de se viver sem nunca ter vivido
Marcelo Moro ( Cotidiano 242 )
Marcelo Moro ( Cotidiano 242 )
Aparência é algo supérfluo !
Hoje após chegar de uma consulta, horrível, onde tive que esperar por 3h40mins para ser super mal atendida por um medico que se quer olhou pra mim ( Situação decadência dos hospitais públicos) e quando em fim cheguei em casa, pensei ''vou pesquisar um pouco sobre a guerra e a situação na Crimeia'', mas eis que chega um primo meu e começa a falar sobre academia, a me perguntar se ele ''cresceu'' desde de que começou a fazer, e por ultimo me pede pra medir o tamanho do braço dele, que é pra ele poder falar pra ''namorada'' dele e é claro que eu disse NÃO, na hora ele fechou a cara e começou a gritar que ninguém fazia nada pra ele nessa casa ( Ele tem 20 anos, mora com os avós, não paga conta nenhuma, não trabalha, tem comida, roupa lavada e é bancado pela mãe e pelos avós que se matam de trabalhar para sustenta-lo ), disse que eu não ligava pra nada, que eu não ajudava ele e bláblábláblá. Realmente não tem cabimento nenhum o que ele faz, ele vive em prol da academia, só pensa nisso e na aparência, em usar roupas de marca com o cartão da avó e etc. Mais uma coisa eu lhes pergunto, do que adianta ser bonito, bem vestido, se matar na academia e esquecer de ter uma personalidade própria ? De ter um minimo possível de conhecimento ? É legal, só saber falar sobre academia, aparência, roupas e sapatos de marca ?
Bom, ele se prende a superficialidade do mundo de aparência, conhece pessoas vazias de conhecimento e visão de mundo, que só fazem exaltar o próprio ego.
Pessoas assim não tem nada para oferecer ao mundo nem para a sociedade como um todo, são extremamente superficiais, cabeças-ocas e entediantes, ao invés de exercitarem a mente, só pensam em musculação e outras coisas fúteis.
O mundo está ficando louco, as pessoas estão se matando intelectual e fisicamente em uma busca insaciável por uma coisa que não é a sua realidade, pelo tal abdome tanquinho, perdendo o figado por causa de anabolizantes, malhando 4hrs por dia, 7 dias por semana, em busca da aparência ''perfeita''. Que droga é essa ? Porque tanto exagero assim ? Eles não estão ganhando NADA com isso, muito pelo contrário, estão perdendo o senso critico e o pouco de conhecimento que possuem, estão se massificando, se tornando bonitas por fora, e completamente ocas por dentro !
O ideal de beleza é algo supérfluo e na minha opinião, mas vale adquirir qualquer forma de conhecimento, do que ter ideais tão fúteis assim !
quinta-feira, 20 de março de 2014
Nosso tempo
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
II
Esse é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
e pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.
III
E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam.
Conheço bem esta casa,
pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,
a sala grande conduz a quartos terríveis,
como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,
conduz à copa de frutas ácidas,
ao claro jardim central, à água
que goteja e segreda
o incesto, a bênção, a partida,
conduz às celas fechadas, que contêm:
papéis?
crimes?
moedas?
Ó conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiados urbano,
ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,
moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,
pessoas e coisas enigmáticas, contai;
capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;
velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;
ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da
costureira, luto no braço, pombas, cães errantes, animais caçados, contai.
Tudo tão difícil depois que vos calastes...
E muitos de vós nunca se abriram.
IV
É tempo de meio silêncio,
de boca gelada e murmúrio,
palavra indireta, aviso
na esquina. Tempo de cinco sentidos
num só. O espião janta conosco.
É tempo de cortinas pardas,
de céu neutro, política
na maçã, no santo, no gozo,
amor e desamor, cólera
branda, gim com água tônica,
olhos pintados,
dentes de vidro,
grotesca língua torcida.
A isso chamamos: balanço.
No beco,
apenas um muro,
sobre ele a polícia.
No céu da propaganda
aves anunciam
a glória.
No quarto,
irrisão e três colarinhos sujos.
V
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.
Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.
Escuta a hora espandongada da volta.
Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem,
imaginam esperar qualquer coisa,
e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
errar em objetos remotos e, sob eles soterrados sem dor,
confiar-se ao que bem me importa
do sono.
Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.
VI
Nos porões da família
orquídeas e opções
de compra e desquite.
A gravidez elétrica
já não traz delíquios.
Crianças alérgicas
trocam-se; reformam-se.
Há uma implacável
guerra às baratas.
Contam-se histórias
por correspondência.
A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão.
Salva-se a honra
e a herança do gado.
VII
Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
dores de classe, de sangrenta fúria
e plácido rosto. E há mínimos
bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
lesões que nenhum governo autoriza,
não obstante doem,
melancolias insubornáveis,
ira, reprovação, desgosto
desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.
Há o pranto no teatro,
no palco ? no público ? nas poltronas ?
há sobretudo o pranto no teatro,
já tarde, já confuso,
ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,
vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,
vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,
e secar ao sol, em poça amarga.
E dentro do pranto minha face trocista,
meu olho que ri e despreza,
minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
que polui a essência mesma dos diamantes.
VIII
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
prometa ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta
um verme.
Carlos Drummond de Andrade
Curtam essa animação bacanuda !
A animação é do diretor Jaime Maestro e alem de super bonitinha e muito bem animada .
Curtam, O vendedor de fumaça
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quarta-feira, 19 de março de 2014
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